Para engenharia, qualidade e suprimentos, um indicador útil deve permitir voltar aos registros que o compõem. Se ninguém consegue explicar o período, o conjunto de obras e a origem do cálculo, a aparência do painel não compensa a falta de uma definição verificável.

Este guia propõe critérios de gestão e exemplos fictícios. As fórmulas não representam certificação, aceitação normativa nem confirmação de que todos esses indicadores estejam disponíveis nativamente em qualquer versão da plataforma.

Escreva uma ficha de definição para cada indicador

Uma ficha simples deve informar a pergunta que o indicador responde, a unidade de registro, o período, os filtros, o numerador, o denominador e o tratamento de ausências. Defina também de qual data parte a análise: concretagem, ensaio, recebimento do documento ou lançamento.

“Resultados do mês” pode significar ensaios realizados no mês ou concretagens daquele mês que já tiveram resultados. Esses conjuntos não são equivalentes. Misturá-los pode fazer uma obra parecer melhor ou pior apenas porque seu laboratório entregou os documentos em outra data.

Na reunião, mantenha a definição acessível. Quando mudar uma fórmula ou um filtro, identifique a alteração e reveja a comparabilidade com o histórico. Não apresente duas séries diferentes como se fossem a continuidade do mesmo indicador.

Volume: projeto, programado, registrado e aplicado

Comece separando o volume previsto para o escopo, o volume programado com o fornecedor e o volume efetivamente registrado. Quando o controle distinguir o aplicado, o devolvido e o descartado, preserve essas grandezas. Verifique o que a coluna do relatório realmente representa.

Um indicador proposto de desvio em relação ao projeto pode ser calculado assim:

Desvio de volume = (volume aplicado ao escopo − volume de projeto do mesmo escopo) ÷ volume de projeto × 100.

Essa expressão só é utilizável se ambos os volumes tiverem a mesma abrangência e se a base de projeto estiver definida e for maior que zero. Se o dado disponível é volume recebido, chame o indicador de diferença do volume recebido, não de desvio do volume aplicado.

Exemplo fictício

Para um conjunto de peças com 480 m³ de projeto, foram contabilizados 504 m³ como aplicados ao mesmo escopo. A diferença é 24 m³, e o desvio é 5%. Esse cálculo não demonstra que 24 m³ foram desperdiçados.

Investigue alteração de projeto, geometria executada, referência de volume, aplicação adicional e qualidade dos registros. Devolução, sobra reaproveitada e descarte podem precisar de indicadores próprios. Não some o mesmo volume novamente a uma categoria de perda sem conferir se ele já está incluído no total.

Por que overbreak não é sinônimo automático de desperdício

O termo pode aparecer em relatórios associado à diferença de volume em relação à referência adotada. Sua interpretação depende do tipo de execução e da definição usada pela obra. Não deve funcionar como rótulo universal de culpa do fornecedor ou da equipe.

Antes de comparar estacas, lajes e outros elementos, confira se o indicador foi definido para esses escopos e quais condições afetam sua leitura. A mesma porcentagem pode representar situações diferentes. O relevante é saber o que foi medido e que investigação o desvio justifica.

Quando faltar volume de projeto, a resposta apropriada é “não calculado” ou outra indicação clara de ausência. Mostrar 0% nesse caso comunica uma precisão que não existe.

Horários: atraso, espera e descarga são indicadores diferentes

Atraso de entrega pode comparar chegada e horário confirmado. Espera no canteiro compara início da descarga e chegada. Duração de descarga compara fim e início. Deslocamento exige ainda uma referência de saída ou carregamento adequada à definição escolhida.

Num exemplo fictício, a entrega estava confirmada para 08h30, o caminhão chegou às 08h50, começou a descarregar às 09h05 e terminou às 09h25. Pelo critério proposto, são 20 minutos de diferença na chegada, 15 minutos de espera e 20 minutos de descarga.

Não some ou interprete essas medidas sem identificar a pergunta. O atraso não pode ser atribuído à concreteira apenas porque o total de permanência foi alto; a espera pode envolver disponibilidade da obra. Registre contexto e analise responsabilidades com as partes, em vez de usar um gráfico como conclusão contratual.

Qualidade: conte uma população definida e mostre a cobertura

Ao acompanhar resultados em relação à referência esperada, defina se a unidade é CP, exemplar ou fornecimento com resultado representativo identificado. Não misture essas unidades no mesmo percentual. Idades diferentes também não devem ser somadas indistintamente.

Uma comparação gerencial de resultados abaixo da referência não é, por si só, o critério normativo de aceitação do lote. Para decidir sobre a estrutura, mantenha os requisitos e a análise dos responsáveis. O indicador serve para localizar e priorizar o que precisa ser examinado.

Exemplo fictício com pendências

Uma base contém 120 fornecimentos. Na data de corte, 100 já atingiram a idade de referência selecionada. Desses, 80 possuem o resultado necessário à comparação gerencial, e seis estão abaixo da referência configurada.

A frequência observada é 6 ÷ 80 = 7,5%. A cobertura dos fornecimentos elegíveis é 80 ÷ 100 = 80%. Há 20 elegíveis ainda sem informação suficiente, e outros 20 fornecimentos ainda não chegaram à idade de referência.

Usar 120 no denominador do primeiro percentual esconderia diferenças de maturidade e de disponibilidade dos dados. Tratar os 20 elegíveis sem resultado como satisfatórios também seria incorreto. O relatório precisa mostrar as lacunas ao lado do indicador.

Compare fornecedores sem apagar as diferenças do conjunto

Ao comparar concreteiras, filtre pelo menos os recortes necessários para a pergunta: obra ou conjunto de obras, produto/traço, referência, idade e período. Considere a quantidade de observações e a cobertura. Uma amostra pequena não deve receber a mesma interpretação de uma base grande apenas porque ambas produzem um percentual.

A magnitude dos desvios também importa para a investigação. Duas obras com a mesma frequência de alertas podem ter distribuições diferentes dos valores observados. Ainda assim, a escolha da criticidade e das ações não deve ser deduzida de uma faixa colorida sem critério técnico explícito.

Sempre permita consultar a lista que originou o gráfico. Esse caminho ajuda a identificar lançamento incorreto, referência desatualizada ou filtro inadequado antes de levar a comparação para uma reunião com o fornecedor.

Pendências documentais: não conte PDFs como se fossem cargas

Um laudo pode cobrir várias notas. Uma concretagem pode depender de mais de um laudo. Por isso, contar arquivos não revela automaticamente a cobertura documental.

Defina a pendência por sua unidade: carga sem laudo correspondente, documento sem arquivo, documento aguardando revisão, concretagem sem mapa ou resultado ainda não lançado. Se somar categorias, verifique se o mesmo registro aparece em mais de uma delas.

A recomendação é mostrar o total por tipo e permitir abrir os registros, em vez de apresentar um único número de “problemas” sem explicar suas sobreposições. Pendência que ainda não existe no sistema por falta de cadastro também não deve ser confundida com ausência de problema na obra.

Use os dados na conferência da medição

Suprimentos pode confrontar quantidades, datas e ocorrências com a cobrança recebida. O registro de um caminhão devolvido ou de uma entrega reprogramada ajuda a construir a discussão, mas o valor devido depende da conferência comercial e das condições aplicáveis.

Não transformar uma diferença de volume numa glosa automática, nem um atraso calculado numa multa presumida. A finalidade do painel é tornar as evidências localizáveis. A decisão comercial precisa permanecer justificada e ligada aos documentos correspondentes.

Uma rotina de reunião que começa pela qualidade dos dados

Antes de analisar desempenho, confira atualização, filtros e cobertura. Depois escolha os desvios relevantes, abra seus registros e defina encaminhamentos. Ao final, registre quais dados faltam e o que será revisto na próxima análise.

Evite a meta de “zerar a tela” sem resolver as causas. Uma queda de pendências por exclusão de registros, descarte indevido ou mudança de filtro não representa melhoria real. Um bom acompanhamento precisa distinguir redução do problema de redução de sua visibilidade.

Para organizar a origem das informações, leia o roteiro de recebimento. Para interpretar o encaminhamento de um resultado, consulte o guia de resultado abaixo do fck.

Como a Consulte GEO apoia os indicadores

A Consulte GEO apresenta painéis e relatórios para acompanhar resultados, volumes e fornecedores.1 Na avaliação da ferramenta, confirme a definição de cada coluna, o escopo de acesso e quais análises pertencem ao painel nativo, ao relatório exportado ou a uma solução complementar.

Conheça os dashboards e indicadores de concreto e solicite uma demonstração. Peça para aplicar um filtro e conferir como o total do painel se relaciona aos registros, inclusive os incompletos.

Fontes e referências

  1. Consulte GEO. Gestão e controle tecnológico do concreto. As fórmulas e exemplos deste guia são propostas didáticas de gestão, não descrição integral do cálculo interno da plataforma.↩

Orientação de gestão, não parecer técnico.

Este guia apoia a organização dos registros. Não substitui normas vigentes, procedimentos aprovados ou a avaliação dos responsáveis pela obra. Recursos dependem da versão e da configuração contratada.